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Autonomia: herança e responsabilidade


Dois de setembro de 1930: há exatamente 88 anos era proclamada a autonomia do metodismo brasileiro. O que isso representou na época e o que significa para nós hoje são perguntas que não podemos evitar, se desejamos ir além da simples celebração.


A missão metodista havia se estabelecido no Brasil há mais de meio século e a filosofia missionária, vigente no século 19, defendia que Igrejas “nativas” fossem constituídas tão logo as comunidades atingidas alcançassem a capacidade de autogoverno, autossustento e autopropagação. Porém, todos sabemos como é difícil para os pais reconhecer que os filhos cresceram e podem determinar os seus caminhos por si próprios. Quantas congregações, mesmo em nossos dias, que, aspirando a sua transformação em igrejas locais, não ouvem a negativa da igreja-mãe dizendo que devem esperar ou que ainda não é tempo para isso!


O fato é que havia fortes resistências na Igreja Metodista Episcopal do Sul, responsável pelo trabalho missionário em terras brasileiras. Assim, já na primeira Conferência Central, em 1927, consagrada à discussão da questão nacional, o Bispo James Cannon Junior afirmou que não apoiava a criação de igrejas independentes, quer no mesmo país, quer em países diferentes. O seu discurso apelava à unidade cristã como condição necessária para o êxito missionário:

“Creio firmemente que o metodismo prestará serviço mais eficiente na evangelização do mundo como fraternidade cristã do que como igrejas separadas em cada país do mundo”.

Apesar disso, o Bispo Cannon Junior conduziu a Conferência com isenção, cumprindo as orientações da Junta de Missões e fazendo eleger a Comissão de Nacionalismo. As portas estavam abertas para o diálogo!


A bem da verdade, muitos missionários norte-americanos, como o Rev. James Ellis e o Rev. Paul E. Buyers, viam favoravelmente as reivindicações dos pastores brasileiros à frente dos quais se encontrava uma liderança jovem, mas suficientemente amadurecida, como os Reverendos Guaracy Silveira e César Dacorso Filho. Para os nacionais, a autonomia representava a oportunidade de assumir responsavelmente o destino da Igreja Metodista no solo pátrio, amoldando-a ao jeito peculiar do povo brasileiro e atendendo às necessidades internas das quais não se tinha nenhuma percepção à distância. Entre os muitos obstáculos a serem enfrentados, talvez nenhum outro fosse tão grande quanto à dependência econômica. Por isso, as incessantes campanhas e os “grandes planos” para prover recursos e assegurar o autossustento. Afinal, proclamada a autonomia, era preciso torná-la real na vida da Igreja.


Um longo caminho ainda deveria ser percorrido. Muitos homens e mulheres, do laicato e do corpo pastoral metodista, não fugiram do seu compromisso. Aliás, nos altos e baixos da história do metodismo no Brasil, não têm faltado pessoas que, com perseverança e boa vontade, vêm sustentando a fé evangélica, a herança wesleyana e o testemunho cristão. Hoje percebemos com clareza que a autonomia da Igreja nunca é uma conquista definitiva, mas uma busca permanente; também não é uma luta isolada, pois se realiza plenamente apenas na comunhão e no serviço. Por essa razão, não basta celebrarmos esse evento histórico. É imprescindível assumirmos, com ousadia, o papel que nos cabe realizar na vida e na missão da Igreja, nesse tempo e lugar chamado Brasil. Ninguém pode negar:

a autonomia da Igreja também é nossa responsabilidade nesse tempo chamado hoje.
José Carlos de Souza

Pastor na Igreja Metodista no Itaim Bibi


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