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A Bicicleta e o Metodista (05)

O movimento metodista em seu início se caracterizou pela vida disciplinada de um grupo de jovens na busca da santidade, com hábitos metódicos que justificaram o nome, e se espalhou alcançando muitos países. Embora fosse partilhado a cavalo e depois por meio de navios, o movimento se equilibrava sobre duas rodas, assim, tipo bicicleta: a roda dos atos de piedade (que nos levam na direção de Deus e do crescimento espiritual por meio da leitura bíblica, oração e jejum) e a roda dos atos de misericórdia (que nos levam na direção do próximo e da manifestação do amor de Deus e de sua Justiça).



Sem perder de vista o equilíbrio necessário, que identifica a pessoa metodista, fui desafiada a destacar a roda da piedade.


Movimentar-se sobre “as duas rodas” é exercitar a si mesmo enquanto caminha na direção do propósito de cumprir a grande comissão. Equilibrar-se sobre duas rodas, como as de uma bicicleta, aponta para a disciplina, bem-estar e leveza. Considerando que a roda da piedade, assim como a da bicicleta, possui vários raios que unem as estruturas, dando leveza e suportando não só a estrutura da bicicleta, mas do ciclista, quero partilhar sobre a riqueza dos mesmos, destacando aqui apenas dois deles:


O raio da Oração


O ceticismo é o espírito predominante do mundo moderno. Somos estimulados a duvidar e não crer, e infelizmente isso revela a fragilidade de nossa vida e prática de oração.


Se definimos oração como vida partilhada com Deus, sabendo que é necessário que quem se aproxima de Deus creia (Hb. 11.6), identificamos o descaso com tal disciplina. A fé está enferma e a orientação de Jesus sobre “orar crendo” se torna então impraticável. João Wesley chamou a oração de “fôlego da vida espiritual” e sugeriu que do mesmo modo como uma pessoa não pode parar de respirar, também não pode parar de orar.


Num olhar sobre a oração na história do povo de Deus encontramos: Abraão, que tinha uma vida de oração que trazia efeito sobre si mesmo, sua história e a daqueles que o rodeavam; Moisés, que deixa um testemunho claro sobre a vida partilhada com Deus em oração, estratégia de busca e resposta para todas as questões do povo de Israel; Elias, que orou e não choveu, orou novamente e choveu, e aprendeu a viver o extraordinário através dessa prática; Davi, que registra orações cantadas nas mais diferentes experiências e etapas de sua vida, de pastor de ovelhas a rei. Daniel, que orava e era continuamente instruído por Deus; Paulo que orava e pedia oração a favor de sua vida e missão, por crer na eficácia da oração do justo; Jesus, que orava e ensinou e incitou aos seus discípulos a experimentarem essa dinâmica de vida partilhada com Deus, o Pai.


Olhando para nossa história, vemos João Wesley, que tinha o hábito de levantar-se às 4 horas da manhã para oração e leitura da Palavra de Deus, costume adquirido ainda na juventude, após “meticulosa avaliação a respeito da exata quantidade de sono que sua constituição física exigia” (Obras de Wesley, Tomo IV, p. 171-172). No final do dia, antes de dormir, Wesley fazia a revisão de todos os acontecimentos do dia e a devida confissão dos pecados cometidos (Obras de Wesley Tomo IX, p. 15-19). Tomava resoluções diárias para melhorar a sua vida e não permitia que se amontoassem os problemas. Para ele esse era o melhor caminho para a perfeição cristã.


É preciso ajustar esse raio, ou a roda da piedade não girará com perfeição gerando um movimento fluente e aprovado; e para viver na terra a dinâmica do céu: comunhão.


O raio do jejum


Vivemos numa sociedade consumista, materialista e hedonista*, e a realidade é que somos estimulados a satisfazer todo apetite o humano. Embora o jejum seja uma prática antiga, e não apenas cristã, é inegável que em nosso meio caiu em desuso por muitos anos. Uma associação com as formas de autocomiseração da idade média trouxe uma visão distorcida desta disciplina como prática cristã, mas no movimento Wesleyano ele foi resgatado e é parte de nossa herança e prática.


João Wesley disse:

“Algumas pessoas têm exaltado o jejum religioso observando-o além das escrituras e da razão, e outros o têm menosprezado por completo”.

E continuou:

“primeiro seja ele (o jejum) feito para o Senhor, com nosso olhar fixado unicamente nele. Que nossa intenção aí seja esta, e somente esta, de glorificar nosso Pai que está no céu”.

Um olhar sobre o jejum na história do povo de Deus nos mostra que ele pode ser individual ou coletivo. Pode ser parcial ou absoluto, bem como pode ter durações variadas.

Uma noite – Dario, quando Daniel foi lançado na cova dos leões – Dn. 6.18;
Um dia – Esdras com o povo, junto ao rio Aava, na Babilônia, antes do seu regresso – Ed. 8.21-23;
Três dias – Ester e os judeus em Susã, diante do decreto de Hamã – Et. 4.3;
Vinte e um dias – Daniel, orando e clamando pelo seu povo – Dn. 10.2-3;
Quarenta dias – Moisés no monte, por duas vezes, recebendo as tábuas – Dt. 9.18.

No Novo Testamento também há inúmeros registros:

Jesus – “E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome.” - Mt. 4.2;
Paulo – “Em trabalhos e fadiga, em vigílias muitas vezes, em fome e sede, em jejum muitas vezes, em frio e nudez.” - 2 Co. 11.27;
Cornélio – “E disse Cornélio: Há quatro dias estava eu em jejum até esta hora, orando em minha casa à hora nona.” - At. 10.30;
Ana a profetisa... “e não se afastava do templo, servindo a Deus em jejuns e orações, de noite e de dia.” - Lc. 2.37.

Oração e jejum não são apresentados na Bíblia como obrigação, mas como expectativa do céu. Em Mateus 6 Jesus disse: “quando orares” e “quando jejuares”. Você pode orar sem jejuar, como pode jejuar sem orar, mas ao unir os dois, ajusta a roda para girar e avançar.


“Não se pode entender o jejum como um exercício espiritual se não estiver acompanhado de oração”. (carta pastoral sobre o jejum)

Metodistas Ativos, Deus, por meio da Bíblia e na tradição metodista, nos convida ao resgate das primeiras obras. Que sejamos encontrados, de forma disciplinada, vivendo os atos de piedade para sermos úteis e hábeis nos atos de misericórdia.


Orando e Crendo,

Soraya de Lima Junker

Coordenadora do Projeto Cenáculo de Oração e Ministério Toque de Poder


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*Hedonismo - A palavra hedonismo vem do grego hedonikos, que significa "prazeroso", já que hedon significa prazer. O hedonismo determina que o bem supremo, ou seja, o fim último da ação, é o prazer. Neste caso, "prazer" significa algo mais que o mero prazer sensual. (https://www.significados.com.br/hedonismo/)


Sugestão de leitura:

Carta Pastoral sobre jejum

http://www.metodista.org.br/content/interfaces/cms/userfiles/arquivos/cartas-pastorais/cartapastora-jejum-192.pdf


Estudo sobre jejum - Soraya Junker - site.

http://geracaodesbravadora.blogspot.com/2009/04/jejum.html


Livro em pdf - A Vida Devocional na Tradição Wesleyana (por Steve Harper). Disponível no site da I.M. em Vila Isabel

Texto: Wesley e a Oração – José Carlos Barbosa

http://www.metodistavilaisabel.org.br/artigosepublicacoes/descricaocolunas.asp?Numero=1119


Raios da bicicleta - https://pt.wikipedia.org/wiki/Roda_de_bicicleta

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