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Bem-aventurados os pobres, porque dos tais é o Reino de Deus (09)


Defensores dos oprimidos


Não se trata de um comentário sobre a bem-aventurança, mas a bem-aventurança prometida aos pobres de Israel através de Amós. Veja que página maravilhosa página do profeta: Eis o que diz o Senhor:

“Ai daqueles que vivem comodamente em Sião e dos que se sentem tranquilos no monte da Samaria”. Deitados em leitos de marfim, estendidos nos seus divãs, que comem alimentos raros, os carneiros do rebanho e os bezerros do estábulo. Refestelam-se ao som da lira, que cantam como Davi as suas próprias melodias. Tomam vinho em grandes taças e perfumam-se com finos perfumes, mas a ruína de José não os incomoda. Por isso, partirão para o exílio à frente dos deportados e se extinguirão esses avarentos.” - Amos 6. 1a,4-7

Esse profeta viveu pelos meados do século oitavo A.C. (talvez por volta de 760 a.C.), no reino do Norte (Israel). O rei era Jeroboão II, cujo governo caracterizou-se por criar bem-estar, riqueza, prosperidade. Todavia, a situação não beneficiava a nação como um todo. Havia um grupo de privilegiados nobres, membros da corte, militares, grandes fazendeiros, negociantes sem escrúpulos que viviam em pecado e no luxo à custa da exploração dos pobres.


Nesse período nasceram duas correntes e segmentos bem definidos. A primeira representada pela classe dirigente tornou-se muito poderosa, cada vez mais rica, e passou a viver no luxo, explorava os pobres. Esta classe era apoiada por juízes corruptos, que vendiam sentenças e praticavam todo tipo de ilegalidades e opressão. Na segunda, por outro lado, estavam os pobres, vítimas inocentes e silenciosas d’um sistema gerador de injustiça, miséria, sofrimento e opressão. Neste contexto, o pregador Amós vai proclamar sua denúncia profética.



Ao ler Amós 6, versículos 1 e 4 a 7, surge a pergunta:

Quem são os destinatários da mensagem que Amós propõe?
Quem são esses que se encontram às portas da morte por causa dos seus pecados?

É uma palavra dura, de julgamento sobre aquela classe dirigente. Advertências severas e muito firmes sobre uma classe rica e indolente, que vivia comodamente nos palácios da principal cidade – a grande Samaria. Cidade que esbanjava em luxos, que vivia numa eterna festa. Essa classe compunha-se de gente parasita que se deitava, diz ele “em leitos de marfim”, que comia alimentos raros e caríssimos, que bebia vinhos raros em excesso, que usava perfumes importados, que se divertia ouvindo música e compondo canções. Absurdo! E o que é mais grave (mesmo que o texto não o diga diretamente, a ideia está sempre presente na denúncia de Amós): Todo este luxo e esbanjamento resultavam da exploração dos mais pobres e da rapinagem e prepotência cometida contra os fracos, os pobres, os humilhados e ofendidos. Esta classe rica e indolente vivia egoisticamente mergulhada no seu comodismo e jamais se preocupou, sequer minimamente com a miséria e o sofrimento que afligia seus irmãos.


Os pobres, ao contrário, trabalhavam duramente, numa existência cheia de dores, trabalho escravo e misérias, para sustentarem a indolência e o luxo daquela classe.


Será que Deus aceitaria uma situação assim indefinidamente? Evidente que Deus não estava disposto a aceitar isto. A classe dominante da Samaria infringia gravemente os mandamentos da “aliança” e Deus não aceitou jamais ser cúmplice daqueles que mantiveram esse elevado nível de vida à custa do sangue e das lágrimas dos pobres.


Por isso, declama o verso 7, o castigo chegará em forma de exílio em terra estrangeira. Amós profetizou que Samaria cairia pelas mãos dos assírios. E essa classe dirigente foi a primeira a ser deportada. Hahaha!! Veio logo a partida desses ricos para o cativeiro na Assíria.


DESAFIOS MISSIONÁRIOS A PARTIR DA PÁGINA DE AMOS 6


Pelo menos duas situações bem conhecidas de todos nós nestes tempos bicudos de violência e avanço do fascismo no Brasil, nos obrigam a pensar em nossa missão profética.


  1. O quadro pintado por Amós nos faz pensar nas festas do jet-set e nas quantias gastas em roupas, em joias, em perfumes, por aqueles que as frequentam; pensemos nas quantias gastas em noites de jogatina por gente que paga miseravelmente aos seus operários. A imprensa brasileira diz que parte da corrupção denunciada no Brasil instalava-se no hotel caríssimo de alta prostituição na cidade de São Paulo. Aff!. Pensemos nos governantes que malbaratam o dinheiro público e que nem sequer vão a tribunal porque há sempre uma maneira de fazer com que o crime prescreva... E, por contraste, pensemos nos pobres que moram nas cerca de 300 ocupações da cidade de São Paulo, ou dos trabalhadores e camelôs que arriscam a vida em obras análogas ao trabalho escravo muito presente no Brasil. Trabalho perigoso porque o patrão não quer gastar uns trocos com sistemas de segurança, não quer pagar impostos. Pense! Pensemos naqueles que ganham salários mínimos, trabalhando duramente para enriquecer patrões prepotentes e sem escrúpulos, mas que ao fim do mês não têm dinheiro para pagar e os demitem – vá procurar seus direitos – ameaçam... Pensemos nos trabalhadores clandestinos que não recebem o salário ao fim do mês, porque o patrão desaparece sem pagar; pensemos naqueles que recebem pensões de miséria e que vivem em condições infra-humanas porque a sua magra aposentadoria mal dá para pagar os medicamentos para si e para os netos. Um cristão pode conformar-se com estes contrastes? Que podemos fazer? Como reivindicar, com coragem profética, um mundo mais parecido com o chamado de Deus?

  2. Convém, também, aplicarmos o questionamento que a mensagem de Amós exige a nós próprios. Muito provavelmente, não frequentamos essas festas regada a vinho caro. Nem usamos dinheiro público para pagar nossos divertimentos e esbanjamentos. Mas, numa escala menor, não teremos os mesmos vícios que Amós denuncia na classe rica e ociosa que compõe nossos patrões, chefias, ou pessoas e empresas de que dependemos? Não nos deixamos, às vezes, arrastar pelo desejo de ter, comprando coisas supérfluas e impondo sacrifícios à família para pagar as nossas manias de grandeza? Não gastamos, às vezes, de forma descontrolada, para pagar os nossos pequenos vícios de consumo, sem pensar nas necessidades daqueles que dependem de nós?


Que Deus desperte os novos profetas e profetizas no meio metodista.

Amém!


Jair Alves

Pastor na Igreja Metodista no Belém e Coordenador da Assessoria de Direitos Humanos 3RE.


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