• Sede Regional 3RE

Tu, porém, vai e anuncia o Reino de Deus (11)

Operoso na obra de evangelização



Cremos que o Eterno Deus convoca a sua igreja para participar na sua missão de reconciliação com toda a criação. O texto bíblico de Lucas 9.54-62 nos ajuda a compreender alguns aspectos da missão de Deus e da sua Igreja.

"Quando iam pelo caminho, disse-lhe um homem: Seguir-te-ei para onde quer que fores. Respondeu-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça. E a outro disse: Segue-me. Ao que este respondeu: Permite-me ir primeiro sepultar meu pai. Replicou-lhe Jesus: Deixa os mortos sepultar os seus próprios mortos; tu, porém, vai e anuncia o reino de Deus. Disse também outro: Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa. Jesus, porém, lhe respondeu: Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o reino de Deus." - Lucas 9.57-62

Percebemos nesta passagem que existe um padrão na sua estrutura:

A: Te seguirei (futuro) - A Raposa
B: Siga-me (presente) - O Funeral
A: Te seguirei (futuro) - O Arado

1. A Raposa

Um homem é atraído pela mensagem de Jesus e diz que irá segui-lo. Voluntariamente esta pessoa faz uma declaração muito forte: Seguir-te-ei (te seguirei) para onde quer que fores. Esta afirmação aparentemente demonstra uma convicção muito profunda. Entretanto, Jesus dá uma resposta em estilo de parábola, dizendo que este voluntário precisa pensar melhor no que ele está dizendo, afinal, o filho do homem o qual ele quer seguir não tem nem mesmo onde reclinar a cabeça.


As raposas têm as suas tocas e as aves do céu tem seus poleiros, ninhos, um lugar para habitar. Jesus está alertando aquele voluntário que é necessário pensar no preço que ele irá pagar ao seguir o Filho do homem. O homem não será bem visto pela sociedade da sua época, afinal, Jesus não tem o status de uma pessoa bem-sucedida. Além disse, raposa é o termo que Jesus usa para falar também de Herodes. Seguir Jesus, não tem o status dos grandes poderosos do mundo.


Aqui percebemos o aspecto centrípeto da missão: atraídos. O Reino de Deus, a Igreja, o Evangelho de Cristo, atraí pessoas, porém, para seguir Jesus não basta afirmações fortes, é necessário pensar profundamente e tomar uma decisão ciente que correrá riscos, inclusive de ser considerado escória da sociedade.


Não sabemos qual foi a reação daquele homem com a resposta de Jesus, mas é este tipo de texto e de resposta de Jesus que deixa a tarefa de responder a pergunta para quem lê o texto, ou seja, nós é que temos que responder para Jesus se estamos dispostos a pagar o preço ou se vamos apenas fazer afirmações fortes sem nenhum comprometimento com o Reino e seus valores.


O interessante para pensarmos é que na prática missionária da igreja local, nós ficamos empolgados com pessoas que chegam em nossas comunidades e logo se voluntariam para servir. Nossos olhos brilham com a disposição das pessoas para servir. Jesus tem uma atitude um pouco diferente, ele sonda o coração das pessoas e verifica se elas estão realmente comprometidas com Ele, ao ponto de seguirem seus passos, seu Reino e seus valores.


2. O Funeral

Neste segundo ponto, diferente do primeiro, é Jesus que convoca uma pessoa para segui-lo. O Senhor diz: Siga-me. Aqui temos a resposta da pessoa convocada: deixa-me primeiro...


A convocação de Jesus não é para segui-lo no futuro, mas seguir imediatamente. É no tempo presente. Porém, a primeira resposta da pessoa convocada foi: no momento não posso, quem sabe no futuro.


Ao lermos este texto e a resposta de Jesus sem entender o contexto do Oriente Médio na época de Cristo, podemos concluir que Jesus não tem sensibilidade com a dor das pessoas enlutadas. Afinal, o rapaz está pedindo um tempo para sepultar o seu pai e logo em seguida, seguir Jesus. Contudo, não é bem isto que significa a resposta do jovem e a fala de Cristo.


É bem provável que alguém que perdeu o seu pai naquele momento, não estaria ali na multidão ouvindo as mensagens de Jesus, ou seja, ele estaria no funeral ou então em sua casa vivenciando o seu momento de luto. Quando o rapaz responde a Jesus que precisa primeiro sepultar o seu pai, ele está seguindo a tradição: os filhos sepultam os seus pais, os filhos cuidam dos seus pais até a morte. Não se trata de um funeral no tempo presente.


O pai do jovem não morreu ainda, ele tem a tarefa de cuidar do seu pai e esta é a expectativa da sociedade para com ele. Sendo assim, a resposta do jovem significa que ele primeiro quer satisfazer as expectativas da tradição, da sociedade. Talvez ele seja jovem e o pai dele ainda tenha muitos anos de vida pela frente. O rapaz quer cuidar das suas coisas pessoais e familiares primeiro.


Jesus responde: deixa os mortos sepultarem os mortos. Você, contudo, vai e anuncia o Reino de Deus.

Aqui percebemos o aspecto centrífugo da missão: o envio. O Senhor nos envia HOJE para proclamar as boas novas do seu Reino. A prioridade é anunciar o Reino de Deus. Não adianta inventarmos desculpas e querermos adiar a tarefa missionária. Novamente, a pessoa convocada está diante de uma escolha importante na vida: atender as expectativas da sociedade e expectativas pessoais ou atender ao chamado de Deus.


3. O Arado

O terceiro e último ponto, novamente temos um homem que se apresenta voluntariamente para seguir Jesus, mas primeiro, ele precisa dizer adeus aos seus familiares. Esta é a primeira impressão que temos. Contudo, semelhante ao segundo ponto, o contexto do Oriente Médio na época de Jesus aponta que o pedido do homem para “se despedir dos seus familiares” implica em “pedir autorização”, principalmente autorização para o seu pai.


O homem não está respondendo para Jesus que quer dizer um “tchau” para sua família, mas que ele precisa pedir “autorização”. É bem provável que este homem ao pedir autorização para seus familiares e para o seu pai, ele não teria a autorização.


Jesus responde no estilo de parábola, falando que ninguém que coloca a mão no arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus. Para trabalhar com o arado precisa de muita atenção e foco. Uma mão, possivelmente a esquerda, segura o arado para fazer o furo na terra e na outra mão tem o aguilhão para direcionar o boi. Conclusão, ao trabalhar com o arado qualquer distração pode atrapalhar todo o trabalho.


Neste último caso, o homem diz que quer seguir Jesus (o verbo está no futuro), mas inicialmente ele não está disposto a romper com tudo, inclusive, com a autoridade do seu pai. O rapaz quer a autorização dos seus familiares. Quando nos envolvendo na missão de Deus de anunciar o Evangelho, Jesus é a autoridade máxima.


Pensando na prática missionária da Igreja Local, nos envolvendo com tantas atividades religiosas que não necessariamente estas atividades estão alinhadas com o anúncio do Reino. Há muitas distrações nos dias de hoje em nossas comunidades, que atrapalham o trabalho com o arado. Dizemos que tudo o que fazemos é missão, mas será mesmo que estamos focados na missão? Jesus é a nossa autoridade máxima? Estamos totalmente submissos a ELE?


Você, porém, vai e anuncia o Reino de Deus.


Manoel Carlos Américo da Silva Gonçalves

Pastor na Igreja Metodista no Jabaquara e Coordenador da Câmara Regional de Ação Missionária.


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