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Do Verbo ou Filho de Deus que se fez verdadeiramente homem (02)

"... e apegue-se firmemente à mensagem fiel, da maneira pela qual foi ensinada, para que seja capaz de encorajar outros pela sã doutrina e de refutar os que se opõem a ela". - Tito 1.9

Conhecimento é algo que podemos ter ou simplesmente ignorar; não obstante, encontramos, vez ou outra, quem afirme que a Igreja Metodista não tem uma doutrina. O grande problema está quando tal afirmação não encontra base ou fundamento por mero desconhecimento ou desinteresse.

Nesta semana celebramos 88 anos de autonomia da Igreja Metodista, um fato histórico e presente em nossa caminhada como Igreja no Brasil; no entanto, torna-se providencial refletirmos a respeito, não apenas quanto à nossa história, mas também a respeito da nossa doutrina. Importa-nos, todavia, ressaltar que a busca desse entendimento se dá na percepção mais profunda do pensamento do fundador do metodismo, John Wesley.

A Igreja Metodista se identifica com a postura assumida pela Reforma Protestante do século 16, no entanto, a distinção dela para com os demais segmentos reformados, são suas ênfases doutrinárias, mais especificamente, nossas ênfases metodistas[1], que são fundamentadas

na Bíblia Sagrada,
no Credo Apostólico,
nos Sermões de John Wesley,
em suas Notas sobre o Novo Testamento,
nas Regras Gerais de conduta,

também elaboras por Wesley,

e nos Vinte e Cinco Artigos de Religião do metodismo histórico,

que têm, em seu segundo item, o objeto deste texto.


A forma mais clássica de percepção do pensamento wesleyano, bem como sua posterior proposta eclesiológica do então, sacerdote anglicano, perpassa por sua origem e história. Nos estudos wesleyanos, nota-se a presença de correntes que se convergem e apontam a fatos como: a Igreja Primitiva com os seus credos ecumênicos, a tradição e a fé dos Pais da Igreja, tanto do oriente como do ocidente, a liturgia contida no Livro de Oração Comum e os 25 Artigos de Religião. João Wesley, enquanto sacerdote anglicano, ao organizar o movimento metodista - ainda dentro da Igreja anglicana – copiou, na íntegra, 25 dos 39 Artigos de Religião usados pela igreja Anglicana e publicou como os 25 Artigos de Religião e Fé do Movimento Metodista.


É importante lembrar que essa posterior proposta eclesiológica de Wesley não expressava qualquer problema doutrinário dele para com a Igreja Anglicana, sobretudo sua preocupação estava na apatia de uma sociedade secularizada, sem qualquer experiência mais profunda com Deus. Nessa direção, ao transcrever ou resgatar 25 dos 39 Artigos de Religião da Igreja Anglicana, importa-nos destacar o segundo artigo:

Do Verbo ou Filho de Deus que se fez verdadeiro Homem. O artigo diz: “O Filho, que é o verbo do Pai, verdadeiro e eterno Deus, da mesma substância do Pai, tomou a natureza humana no ventre da bendita Virgem, de maneira que duas naturezas inteiras e perfeitas, a saber, a divindade e a humanidade, se uniram em uma só pessoa para que jamais se separem, a qual pessoa é Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, que realmente sofreu, foi crucificado, morto e sepultado, para nos reconciliar com seu Pai e para ser um sacrifício não somente pelo pecado original, mas, também, pelos pecados atuais dos homens”.

Neste segundo artigo dos 25 que os totalizam, podemos entender a respeito deste mistério da encarnação revelado a nós através da oferta de expiação de pecados e reconciliação com Deus por meio do Filho de Deus verdadeiramente Homem e verdadeiramente Deus.


Se nos reportarmos novamente à história, temos “A definição de Calcedônia, 451 – Concílio de Calcedônia, Actio V.Mansi,, VII, 116s:

Fiéis aos santos padres, todos nós, perfeitamente unânimes, ensinamos que se deve confessar um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito quanto à divindade, e perfeito quanto à humanidade, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, (...) ‘em todas as coisas semelhamentes a nós, excetuando o pecado’, gerado segundo a divindade antes dos séculos pelo Pai, e segundo a humanidade, por nós e para a nossa salvação gerado da Virgem Maria...

Um só e mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar; em duas naturezas, inconfundíveis e imutáveis, conseparáveis e indivisíveis; a distinção de naturezas de modo algum é anulada pela união, mas, pelo contrário, as propriedades de cada natureza permanecem intactas, concorrendo para formar uma só pessoa e subsistência; não dividido ou separado em duas pessoas. Mas um só e mesmo Filho Unigênito, Deus Verbo, Jesus Cristo Senhor; conforme os profetas outrora a seu respeito testemunharam e o mesmo Jesus Cristo nos ensinou e o credo dos padres nos transmitiu." [2]


Para nós, metodistas, tal Artigo de Religião retrata de forma doutrinária o que biblicamente a pessoa de Jesus Cristo nos revela como sendo projeto de regeneração de Deus Pai de forma ampla, inerrante e suficiente entre o ser humano para consigo mesmo. Em Jesus encontramos o entendimento da nossa limitação, não somente por nossa humanidade, sobretudo, pela humanidade presente n’Ele, e além disso, pela divindade também presente na pessoa do Filho de Deus.


Ao se tornar humano, Jesus nos dá esta possibilidade de um reconhecimento mais dependente e, principalmente paradigmático, pois Ele se revela o modelo a ser imitado. Isto é fato, ainda que, embora reconheçamos nossa condição humana e, mesmo apesar dela, nosso alvo continua sendo muito claro e não podemos perdê-lo; podemos, sim, e precisamos nos parecer com o Filho de Deus encarnado. Este sempre foi o propósito de Deus para nós.

“Até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo." - Efésios 4.13.

Nossa doutrina wesleyana traz, sistemática e resumidamente, um pressuposto indiscutível que precisa novamente pulsar em nossos dias: “A perfeição Cristã” – a busca pela santidade – como reflexo de restauração e regeneração. A Graça justificadora que nos convida e permite prosseguir na perspectiva de um viver pela Graça santificadora.


O Verbo de Deus, ao assumir sua humanidade em processo de esvaziamento, nos concede o experimentar a mesma “espiritualidade da manjedoura”. E, saber que Deus se fez humano ao assumir sua humanidade despojando-se de Sua glória, faz com que a Igreja tenha claro seu papel prático em anúncio e compromisso com o Reino. Se o Verbo se fez carne e habitou entre nós cheio de graça e verdade, nossa tarefa está condicionada ao compromisso com a graça que gera vida, com a verdade que liberta.


Enquanto os clamores sociais, econômicos, políticos e, por que não, espirituais, se fizerem presentes em meio a toda religiosidade também presente, haverá sempre espaços para a sinalização do Reino e do Rei.

Ele é real, Ele se faz presente!

Que a manifestação e revelação do Verbo encarnado atuem ardentemente em nossas concepções e valores, não apenas eclesiológicos, sobretudo, no serviço, testemunho e na alegria de caminhar com o Emanuel – Deus Conosco.


Marcelo Arruda

Pastor na Igreja Metodista no Brás.


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[1] IGREJA METODISTA QUINTA REGIÃO ECLESIÁSTICA. O que uma pessoa metodista é, sabe e faz? Birigui, Editora Agentes da Missão, 3Ed. 2003, p. 65.

[2] BETTENSON, Henry. Documentos da Igreja Cristã. São Paulo, Aste, 1967, p.86.

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