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Não foi Deus que derrubou aquele prédio!

No Dia Internacional da Cruz Vermelha, data marcada pela solidariedade e pela ajuda humanitária, trazemos aqui uma entrevista com o Sargento Diego, participante direto do socorro ao prédio que desabou no Largo do Paissandu.


Na madrugada do dia 1º de maio a cidade de São Paulo acordou com a notícia do incêndio do edifício Wilton Paes de Almeida, um prédio de 26 andares próximo ao Largo do Paissandu.


Poucas horas depois o edifício, que pertence à União, mas abrigava uma ocupação de moradores sem teto, viria a desabar, segundos antes do sargento Diego Pereira conseguir resgatar, no 15º andar, o morador Ricardo Pinheiro.

Diego Pereira da Silva Santos, o sargento Diego, do 1° Grupamento de Bombeiros, quartel da Vila Mariana é membro da Igreja Metodista em Santo Amaro. Conversamos com ele e com sua esposa, Débora, sobre a tragédia do dia primeiro de maio e sobre sua profissão e caminhada cristã.


Durante a semana toda Diego deu entrevista a vários veículos de comunicação contando os momentos dramáticos vividos durante o combate ao incêndio e a preocupação com o resgate das pessoas. "Eu consegui escutar ele gritando por socorro", afirmou Diego, mas o prédio desabou “faltando 30 ou 40 segundos para a gente acabar o processo".

No dia anterior Diego havia entrado no batalhão e, no período da manhã, reuniu o grupo para fazer a conferência da equipe, passar algumas orientações e também fazer uma oração. Ele nos conta que “quem orou naquele dia, naquele serviço, foi o soldado Freitas, que estava na equipe, e ele pediu para que Deus estivesse à frente, preparando todo cenário, preparando toda a ocorrência que fossemos atender, que Deus estivesse nos protegendo, que Deus estivesse conosco sempre”, ainda sem saber das proporções do evento que enfrentaria durante a madrugada.


Segundo declaração do Secretário de Segurança Pública de São Paulo em diversos meios de comunicação, Mágino Alves, o incêndio foi causado por um curto-circuito em uma tomada no quinto andar do prédio, na moradia de uma família com quatro pessoas, numa tomada que ligava três aparelhos. Uma imprudência que muitos de nós comentemos no nosso dia a dia, mas agravada ali pelas condições de habitação da ocupação, que aponta para um problema maior, a falta de moradia digna para um grande número de cidadãos e cidadãs nas grandes cidades, mesmo o artigo 6º da Constituição Federal afirmando que a moradia é um direito social de todos os brasileiros e brasileiras.


O sargento Diego tem muita clareza dessa situação, quando declara que ficou muito chateado:

“infelizmente o prédio desabou, infelizmente o prédio pegou fogo antes de desabar, infelizmente aquelas pessoas estavam morando naquelas condições e isso é o que me vem à cabeça, o que aconteceu antes daquele prédio estar naquela situação, em chamas. Então as pessoas que moravam lá já estavam sofrendo muito, então isso me deixa mais chateado. E vem toda essa ocorrência, o incêndio, a vítima que estava do lado de fora pedindo socorro... Até chegar nesse momento, já teve muito sofrimento, mas foi só então que o mundo parou para olhar para aquele prédio, para aquelas pessoas”.

Numa declaração muito forte e firme, em nossa conversa, Diego afirma categoricamente:

“NÃO FOI DEUS QUE DERRUBOU O PRÉDIO!"

Ele pede para deixar isso bem claro,

“porque algumas pessoas podem achar que isso foi a vontade de Deus, que o prédio caísse, mas não foi a vontade de Deus, foi o livre arbítrio do ser humano, é tudo questão do livre arbítrio. Mas é tudo no tempo de Deus também e para algumas pessoas é difícil entender isso”.

Com uma fé firme e tranquila, Diego começou sua história com a Igreja em 2005, quando conheceu a técnica em enfermagem Débora Ribeiro Martins Pereira, hoje sua esposa, com quem teve a filha Beatriz (9 anos) e o filho Lucas (3 anos).

O casal se conheceu na Praia Grande, num feriado em janeiro de 2005, quando Débora foi surfar e Diego era guarda-vidas. Ficaram amigos e o relacionamento caminhou para um namoro, e Débora nos conta que “quando ele me pediu em namoro eu falei pra ele que a gente poderia começar a namorar na rua Conde de Itu, nº 99”. Esse é o endereço da Igreja Metodista em Santo Amaro, que tem um papel importante na vida do casal.


Tanto Débora quanto Diego afirmam que a Igreja Metodista em Santo Amaro sempre foi uma família para eles, acolhendo-os em todos os momentos, tendo os membros da igreja sempre juntos, os acompanhando em tudo.

Diego mudou para São Paulo e conheceu a família de Débora. Ele trabalhava como guarda-vidas temporário, mas ainda não era bombeiro. Prestou concurso, com o incentivo da namorada e da igreja. “Eu tinha 18 anos na época quando eu comecei a frequentar a Igreja Metodista em Santo Amaro, então foi tudo acontecendo de forma sincronizada. Eu comecei a frequentar a igreja, gostei muito, pessoal excelente, sensacional, me acolheu muito bem, como se eu já fosse da família, me senti muito em casa, foi algo muito gostoso, e aí foi quando eu ingressei no corpo de bombeiros, com 19 anos eu consegui ingressar na corporação, comecei o curso de formação de soldados e com isso continuei frequentado a igreja e em 2007 nos casamos, casei com minha esposa em 2007 e a minha conversão foi nesse meio tempo”.


Débora conta que na vivência com as pessoas da igreja, Diego via como era ser cristão. Ele fez sua profissão de fé, se batizou, aceitou Jesus como seu Senhor e Salvador e, aos poucos foi trazendo sua família.


A fé firmada no coração do casal é expressa por meio das ações e palavras. De forma muito madura ambos encaram as dificuldades das profissões, tanto de bombeiro como de enfermagem, com alegria e verdadeiro sentido de servir ao próximo.

“Ser esposa de bombeiro não é nada fácil, a gente fica com o coração apertadinho”, afirma Débora,

“uma vez eu estava cansada do trabalho, e eu falei ‘como você aguenta tantos cursos, trabalhar 24 horas’, então ele me respondeu assim ‘a diferença é que você faz aquilo que você gosta e eu faço aquilo que eu amo e isso me dá mais força’. E isso foi a assinatura dele, de que ele ama o que faz mesmo, e é muito bonito de ver. Isso faz com que eu tenha paz, porque eu sei que em tudo o que ele faz, ele faz com amor e não faz só por profissionalismo, faz porque ele tem o dom e Deus o usa de várias formas. Quando ele tem oportunidade ele fala de Cristo. Ele relatou que em algumas tentativas de suicídio, até o endereço da igreja ele passou para a vítima e a pessoa saiu estabilizada. Ele tem esse dom e isso faz com que eu tenha paz no coração de saber que ele está cumprindo o evangelho na profissão dele”.


Sabemos que ser bombeiro é uma profissão que ainda não tem o devido reconhecimento e o casal lembra de muitas situações difíceis, mas ressaltam que Deus tem dado todo suporte por meio da igreja. “A Igreja tem sido muito importante, o pastor Marcos (Marcos Antonio Garcia) tem sido bênção na nossa vida, ele tem sempre nos dado apoio, dado acompanhamento, e está sempre presente com a gente”.


São imensos os desafios da profissão, e geralmente os bombeiros chegam somente no momento final de uma sucessão de fatos que levaram até aqueles momentos cruciais, como o incêndio e queda do edifício e a tentativa de resgate daquele morador. Diego fica sério e diz que

“algumas pessoas podem interpretar que Deus é o culpado, vão querer jogar a culpa em Deus questionando o porquê de Deus deixar o prédio cair ou o porquê de Deus não dar mais 30 segundos para retirar a vítima. Eu acredito que Deus faz o melhor, Deus cuida de nós, mas a gente vai passar por uma gripe, por exemplo. Se eu passar em um farol vermelho, bater o carro e morrer, foi o livre arbítrio, não foi Deus quem me matou. É difícil para alguns entender e tentar se aproximar de Deus sem querer culpá-lo por não conseguir comprar o carro do ano. Eu acredito muito nisso, eu sinto Deus dessa forma, não como um ser maior que vai me beneficiar, mas que estará comigo em todas as situações, essa é a grande diferença, isso me dá o maior conforto, trabalhar com técnica, trabalhar com segurança, sabendo que Deus está preparando o caminho, e se algum dia tiver que acontecer algo comigo, sabendo e tendo a certeza da salvação, coloco a minha confiança em Deus, mas trabalhando com técnica, sabendo que gravidade tem força e se não tomar cuidado, a gente acaba caindo. Nisso a gente fica um pouco chateado, porque não deu tempo. Mas eu tenho fé em Deus e sei que Deus fez o melhor para cada um”.
Assessoria de Comunicação

Por Rogério Silva

Fontes: Calendarr, G1 e Folha.


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