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De ambas as espécies (19)

O cálice do Senhor não se deve negar aos leigos, porque ambas as espécies da Ceia do Senhor, por instituição e mandamento de Cristo, devem ser ministradas a todos os cristãos igualmente.


Uma Igreja conciliar


Atos 15 descreve a realização do primeiro Concílio da Igreja Primitiva para decidir sobre questões que estavam incomodando a comunidade dos/as seguidores/as de Jesus. Na pauta, a circuncisão e a carne sacrificada aos ídolos. A partir desse momento, diante de situações inusitadas, a Igreja institucionalizada reunia-se em Concílio para analisar, discutir e tomar decisões referentes às práticas de fé.

No dia 11 de novembro de 1215 aconteceu o 4º Concílio de Latrão, realizado na Basílica de Latrão, em Roma. No próximo dia 11 serão 803 anos nos separando desse Concílio.


Em meio a uma lista de 70 decretos a serem analisados, a Igreja tomou decisões buscando fortalecer a fé dos fiéis. No 4º Concílio de Latrão, aparece a figura do Pároco, ou Cura, que é o sacerdote designado para um determinado território, com a incumbência da cura das almas, derivando seu nome do latim “cura animarum”, curador das almas.


Esse Concílio promulgou leis que regulavam a vida dos fiéis em seu relacionamento com a Igreja em diversos aspectos e, também, em relação à recepção dos sacramentos. O Concílio de Latrão determinou que somente o padre poderia tomar o vinho da Santa Ceia. Alguns anos mais tarde, o Concílio de Trento (1545-1563) ratificou essa decisão.


A Igreja Anglicana não partilhou dessa decisão. Em seus 42 Artigos de Religião, colocou o Artigo 19 que afirma a igualdade na distribuição das espécies. No ano de 1552, o Arcebispo Tomás Cranmer, durante o reinado de Eduardo 6º, escreveu os 42 Artigos de Religião. Em 1570, no reinado de Elisabete I, os Artigos foram revisados e foram reduzidos para 39. João Wesley revisou os Artigos e por considerar que alguns não possuíam base bíblica consistente reduziu para 25.

Os 25 Artigos de Religião, o Credo Apostólico, os Sermões de João Wesley e suas Notas sobre o Novo Testamento constituem a base doutrinária da Igreja Metodista.

Uma nova aliança firmada no sangue de Jesus


Sendo a Ceia do Senhor um símbolo de unidade e proximidade do Corpo de Cristo, o 19 Artigo de Religião não aceita uma Ceia que negue uma das espécies, no caso a espécie do vinho; isso implicaria em separação e categorização ao afirmar que somente o clérigo poderia participar da espécie do vinho – que simboliza o sangue de Cristo.

Na Ceia do Senhor o pão e o vinho simbolizam Seu corpo e sangue. Esses dois elementos evidenciam a salvação concedida por Jesus Cristo ao ser humano.

A Ceia do Senhor é o momento de obediência à ordem de Jesus, que anuncia uma nova aliança, selada não com o sangue de cordeiros, mas com seu próprio sangue. No evangelho de Lucas, encontramos as palavras de Jesus no momento da Ceia: “Recebendo um cálice, ele deu graças e disse: Tomem isto e partilhem uns com os outros. Pois eu lhes digo que não bebereis outra vez o fruto da videira até que venha o Reino de Deus. Tomando o pão, deu graças, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: Isto é o meu corpo dado em favor de vocês; façam isto em memória de mim. Da mesma forma, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue, derramado em favor de vocês” (Lucas 22.17-20 – NVI).


Tomem e partilhem


A ordem é clara: partilhem uns com os outros. Partilhem o quê? Os dois elementos, as duas espécies, como diz o 19 Artigo de Religião. Jesus partilhou o pão e o vinho, distribuiu a todos os discípulos, inclusive a Judas que iria traí-lo.

A mesa do Senhor é momento de partilha, união e obediência. Os elementos do pão e do vinho são recebidos pela fé.

Pela questão da transubstanciação, presença sacramental de Jesus Cristo na Eucaristia, a substância do pão e do vinho na Ceia, convertem-se no corpo e sangue de Jesus. Na distribuição do vinho a todos os participantes, algumas gotas podem ser derramadas e, na verdade, o que está sendo derramado, é o sangue de Cristo. O Concílio de Latrão resolveu essa questão negando a espécie do vinho aos leigos. Jesus afirma “fazei isto em memória de mim”. Para que a memória seja plena, completa e obediente à ordem de Jesus é necessário a presença das duas espécies.


Cálice da nova aliança


Se Jesus afirmou que o cálice simbolizava a nova aliança firmada no seu sangue é indispensável a distribuição dos dois elementos: pão e vinho. Na narrativa do Evangelho de João (João 2.1-12), o primeiro sinal (milagre) de Jesus foi transformar a água em vinho, na festa de casamento em Caná. O vinho, na Bíblia, representa o amor. Jesus selará a nova aliança dando a vida por amor. Portanto, é importante que todos e todas, clérigos e leigos e leigas recebam pão e vinho.



Sendo a Ceia do Senhor esse momento de recordar o amor de Deus na sua concretude e a certeza do sentimento de pertença ao Corpo de Cristo, é imprescindível expressar a unidade. Essa unidade se evidencia na igualdade de todos e todas que participam desse momento. Recordamos as palavras de Paulo, em Gálatas 3.27,28, quando ele afirma que

Todos vocês são filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus, pois os que em Cristo foram batizados, de Cristo se revestiram. Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus” (NVI).

Se somos filhos e filhas de Deus, temos o direito a receber ambas as espécies da Ceia do Senhor. Se somos Um em Cristo, partilhamos do mesmo pão e do mesmo cálice. E isso inclui todos e todas.


Amélia Tavares Correia Neves

Pastora na Igreja Metodista Central em São Bernardo do Campo e Secretária executiva do Centro Metodista de Capacitação (CEMEC).


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Consulta

Lockmann, Paulo Tardo de O. & Constantino, Zélia S. Seguir a Cristo: Manual do Discipulado. Igreja Metodista. 1ª Região Eclesiástica, 2005.

NVI – Bíblia Sagrada: Nova Versão Internacional. São Paulo: Editora Vida, 2000.

SARDINHA, Edson Cortásio. Os 25 Artigos de Religião do Metodismo – Artigos 16 ao 26 – Os Sacramentos. Site da Igreja Metodista em Vila Isabel, RJ. Publicado em 2 de agosto de 2014.

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