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Dos sacramentos (16)

Escrever sobre doutrinas é sempre uma grande responsabilidade porque elas trazem os fundamentos da fé que sustentam o testemunho e a missão da Igreja. Não é por acaso que uma das responsabilidades primárias de orientar e zelar pela unidade doutrinária da Igreja é dos Bispos/Bispas (conforme artigo 130 Subseção IX “Da competência do/a bispo/bispa” – item III).

Minha reflexão não tem como propósito ensinar sobre os sacramentos, mas compartilhar o que aprendemos e enfatizar a importância deles no contexto dos cultos em nossas Igrejas locais.

O que é um sacramento? Conforme dicionário define-se sacramento como “cada um dos ritos sagrados instituídos por Jesus Cristo para dar, confirmar ou aumentar a graça” ou ainda “Ato religioso cuja finalidade é a santificação do que é seu objeto”[1].



Entre as doutrinas Metodistas aceitas pelo Metodismo Universal fundamentadas na Sagrada Escritura está a “Dos sacramentos”. Conforme os Cânones da Igreja Metodista 2012/2016, no capítulo I “Das Doutrinas” – Artigo 2º § 3º entre os Vinte e Cinco Artigos de Religião do metodismo histórico encontramos, na página 43, o 16 Artigo intitulado “Dos Sacramentos”. Para nossa reflexão quero destacar parte do artigo: “Dois somente são os sacramentos instituídos por Cristo, nosso Senhor, no Evangelho, a saber: O batismo e a ceia do Senhor”. “Os sacramentos não foram instituídos por Cristo para servirem de espetáculo, mas para serem recebidos dignamente. E somente nos que participam deles dignamente é que produzem efeito salutar, mas aqueles que os recebem indignamente recebem para si mesmos a condenação, como diz S. Paulo (1 Coríntios 11.29)”[2].


Para a Igreja Metodista os sacramentos são meios da graça da Deus. São momentos especiais da presença espiritual e real de Deus.

João Wesley em seu sermão Os meios de Graça destacou que: “Uso a expressão – meios de graça – porque não conheço outra melhor e porque ela tem sido geralmente usada na Igreja Cristã por meio de muitas gerações, em particular por nossa própria Igreja, que nos dirige no louvor de Deus pelos meios de graça e pela esperança da glória, ensinando-nos também que o sacramento é o sinal exterior de uma graça interior, e um meio pela qual recebemos a mesma graça”[3]. A importância de se realizar e participar nos sacramentos alinhados com a Palavra de Deus e dependência do Espírito Santo também é destacada neste mesmo sermão: “Igualmente confessamos que todos os meios exteriores, quaisquer que sejam, se apartados do Espírito Santo, de modo algum podem ser de proveito, não conduzindo, de forma alguma, nem ao conhecimento, nem ao amor de Deus”[4].


O batismo

No artigo 17 dos Cânones da Igreja Metodista encontramos: “O batismo não é somente um sinal de profissão de fé e marca de diferenciação que distingue os cristãos dos que não são batizados, mas é também um sinal de regeneração, ou de novo nascimento. O batismo de crianças deve ser conservado”.


Batismo infantil

Certa vez uma pessoa muito amiga, ativa na Igreja, confidenciou para mim que tinha dificuldade para entender porque a Igreja Metodista praticava o batismo infantil. Ela queria saber se eu não achava que esta prática contrariava as Escrituras. Demonstrei que o batismo, como sinal da graça de Deus, era praticado na Igreja primitiva incluindo famílias inteiras (Atos 16.15; 16.33; 1 Coríntios 1.16). Disse a ela que a Carta Pastoral sobre Sacramentos traz estas e outras informações. Refleti com ela sobre

o que Jesus diz a respeito das crianças em Marcos 10.14: “Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus”.

Nosso diálogo foi muito bom e esclarecedor. Às vezes, falta conhecimento da doutrina.


Não há da parte de Jesus nenhuma referência de que os discípulos deveriam ir ao mundo, batizar, ensinar somente os adultos, menos as crianças; pelo contrário, a ordem era para “toda criatura” (Marcos 16.15) fazer discípulos de todas as nações (Mateus 28.19). O batismo é um sinal de que a salvação é promessa para aquela pessoa que está sendo batizada, criança ou adulto, porém a salvação é concedida mediante a fé, como resposta a essa graça concedida: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Efésios 2.8).


Batismo de adultos

Houve um tempo em que a Igreja Metodista praticava somente o batismo por aspersão. Mas isso mudou considerando que a quantidade de água e a forma não são os valores mais importantes do batismo. A Igreja passou a reconhecer e praticar três formas de batismo: derramamento, aspersão e imersão. Assim declara a Carta Pastoral sobre Sacramentos:

“A Igreja Metodista reconhece como válidos o batismo por aspersão, por derramamento e por imersão, conforme disposições canônicas. O Pastor e a Pastora metodistas celebrarão usualmente por aspersão o batismo conferido a crianças e adultos”[5].

Na minha caminhada pastoral já realizei as três formas de batismo. Em todas elas, a emoção e a presença do Espírito Santo tocaram nosso coração e também a vida dos batizados ou dos pais – no caso de crianças. Há uma alegria manifesta na comunidade, a Igreja se alegra, e todos/as se comprometem a contribuir uns com os outros na jornada de fé do novo irmão e irmã que chega à Igreja.


A Santa Ceia

Lembro-me do tempo em que as crianças não podiam participar da mesa da comunhão enquanto não fizessem a Profissão de Fé. Isso também mudou na Igreja, considerando que os discípulos não devem “embaraçar” (confundir) a criança na compreensão da aceitação de Cristo. Se elas podem ser batizadas, seria incoerente que pais crentes não pudessem conduzir seus filhos/as à mesa da comunhão. A Carta Pastoral ao tratar desse assunto orienta:

“A criança como herdeira do reino de Deus deve participar da Ceia do Senhor, preferencialmente junto com seus pais, ou acompanhada pelas pessoas responsáveis por sua formação cristã, depois de ter sido orientada pelos mesmos sobre a relevância da celebração e seu significado”[6].

A Santa Ceia promove ensinamentos importantes da fé em Cristo. Nela aprendemos a importância da partilha: todos comemos do mesmo pão e tomamos do mesmo vinho, sem diferenciação de classe social. Somos todos irmãos e irmãs. Na Santa Ceia aprofundamos nossa aliança e nosso compromisso com o reino de Deus; nela relembramos o sacrifício realizado por Jesus para nos trazer a salvação e comunhão com o reino dos céus; nela reafirmamos nossa fé escatológica convictos de que Jesus voltará (1 Coríntios 11.26); e nela somos convidados a refletir sobre nossa vida e compromisso com o reino de Deus, antes de comer e beber (1 Coríntios 11.28).


Conclusão

Os sacramentos são pilares de nossa fé. No batismo aprendemos e vivenciamos a manifestação da graça de Deus, acolhedora, amorosa, que nos convida a caminhar ao lado de Jesus e tomar sobre nós o seu jugo e ensinamentos ao longo da jornada da vida, confiantes nas promessas do Senhor. Na Santa Ceia, aprendemos e vivenciamos que é preciso trazer à memória o que pode nos dar esperança (Lamentações 3.21), conforme disse o Senhor aos discípulos: “todas as vezes que o fizerdes faça em memória de mim” (Lucas 22.19).


Luis Carlos Lima Araújo

Pastor na Igreja Metodista em Água Fria.


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[1] Fonte: https://www.dicio.com.br/sacramento/ Acesso em: 17 de out. 2018.

[2] IGREJA METODISTA. Cânones da Igreja Metodista 2012/2016. Piracicaba: Equilíbrio, 2012. p. 43.

[3] SERMÕES DE WESLEY. Meios de graça. São Bernardo do Campo: Imprensa Metodista, v. 1, p. 327, 1985.

[4] Id., p.328.

[5] Colégio Episcopal da Igreja Metodista. Carta Pastoral sobre Sacramentos. Biblioteca Vida e Missão. Pastorais. n. 8, 1 ed. São Paulo: Cedro, 2001. p. 17.

[6] Id., p. 37.

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