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Somos livres para crer! (08)

Do Livre Arbítrio (8)


“A condição do homem, depois da queda de Adão, é tal que ele não pode converter-se e preparar-se, pelo seu próprio poder e obras, para a fé e invocação de Deus; portanto, não temos forças para fazer boas obras agradáveis e aceitáveis a Deus sem a Sua graça por Cristo, predispondo-nos para que tenhamos boa vontade e operando em nós quando temos essa vontade(Cânones da Igreja Metodista – 2012/2016, grifo nosso).



A sistematização da teologia reformada trouxe pontos inflexíveis em certas questões teológicas, tais como: o ser humano é salvo ou é justificado por um decreto eterno? Como realizar um processo de salvação dentro desse quadro? Se não é possível cair da salvação que já foi, isoladamente, determinada da parte do Criador, por que correr para a soberana vocação? Para que pensar em sermos perfeitos, como perfeito é o Criador? Este austero ortodoxismo protestante foi combatido – quase um século depois das experiências de Lutero, Zwínglio e Calvino –, por um calvinista que não conseguiu firmar-se na austeridade reformada. Este homem foi Tiago Armínio. Armínio nasceu em 1560, em Oudewater, Holanda. Começou seus estudos teológicos em Genebra, em 1582. Em 1603, juntou-se ao corpo docente teológico, em Leiden, onde morreu, em 1609.


Para Lutero, Zwínglio e Calvino, o chamado de Deus é eficaz. Isto é, todo aquele a quem Deus chama, cede ao Seu chamado. A graça é preveniente e é irresistível.

Armínio não entende assim. Expõe seu pensamento declarando que as pessoas têm liberdade, vontade e capacidade para resistir ao chamado de Deus, para rejeitar a oferta da graça de Deus, para desprezar o Evangelho da graça, e para não abrir a porta do seu coração. Ou seja, Armínio deixa claro, em resumo, que a graça preveniente é resistível (sugiro que leiam a obra de José Gonçalves Salvador , “Arminianismo e Metodismo”).


Na leitura de várias obras, é possível perceber que ficou na luta de Lutero, Zwínglio e Calvino e seus seguidores, um rastro teológico, declarando a predestinação como crença fundamental. A salvação é escolha de Deus e o ser humano nada pode fazer para ganhar esse dom ou rejeitá-lo. Armínio ousou desafiar esta posição. A graça da salvação foi concedida a todos pela expiação de Cristo e os seres humanos têm o direito de responder, pela fé, e aceitar o dom da graça de Deus. Portanto para Armínio, a ação de Deus não é irresistível.

Deus deixa ao ser humano a possibilidade de aceitar ou rejeitar a Sua graça. Sob a direção do Espírito Santo, o ser humano é livre.

É possível perceber que Armínio considerava a natureza caída do ser humano a partir de Adão e Eva. Deus estende a salvação ao ser humano e o auxilia por intermédio do Seu Espírito. Socorre a natureza caída. Cabe, entretanto, ao ser humano aceitar este socorro. Ninguém está excluído da salvação, a menos que se exclua pessoalmente, pela sua própria incredulidade. O Criador não quer que ninguém se perca. O Seu amor e o Seu sacrifício são ofertados para todos os seres humanos. É uma atitude pessoal aceitar a responsabilidade para com esse amor Divino.


Finalmente, chegamos a Wesley. Wesley rejeitou a graça de Deus limitada ao perdão divino. Ele depositou todo seu otimismo na graça de Deus. Distancia-se, neste aspecto, de Lutero e Calvino. Para ele, a graça de Deus abre um otimismo para o ser humano. Ou seja,

ao lado do pecado, da miséria e da tragédia do ser humano e do mundo, Wesley coloca as possibilidades da graça de Deus que temos no Evangelho. Evangelho é acima de tudo, Boa Nova.

Para o mundo do século 18º, onde o ser humano estava cercado pela filosofia iluminista e não conseguia sair da escura morbidez de suas crises, surge uma possibilidade com a teologia da graça de Wesley, onde ele vai trazer à memória que criatura e Criador permanecem distintos, embora não separados. E a influência de Armínio se faz presente. Ou seja, aqueles que escolherem responder pela fé e aceitarem o dom da graça de Deus serão salvos. Para Wesley, todo ser humano possui a possibilidade da graça, do amor divino e a possibilidade de fazer uso desta graça. Com isto, ele desencoraja toda e qualquer doutrina de “preferência” divina, ou “eleição” divina. Para Wesley, a graça divina valoriza o ser humano. Liberta-o do medo de um Deus devorador e anuncia um Deus misericordioso e cheio de graça. Wesley alarga ainda mais a brecha entre o arminianismo e o calvinismo com a doutrina da perfeição cristã. A justificação do pecador é absolutamente necessária à salvação, mas a santificação é a “plenitude da fé”. Há uma interação entre a graça divina e a vontade humana, a liberdade humana, a responsabilidade humana. E esta será sempre comunitária e solidária.

A graça é a expressão do amor de Deus, é o Seu próprio amor. Sendo amor, não pode ser imposta. O Deus de amor deseja salvar todas as almas que criou, todavia, Ele não as forçará a aceitá-Lo.

Privar o ser humano da liberdade não é natureza da graça de Deus, nem natureza do Seu amor, no entanto, a graça auxilia a resposta humana como estímulo que a faz surgir.


Ninguém se salva a si mesmo, porém não somos passivos. Neste processo, o ser humano consente com a graça e, naturalmente se torna coparticipante. Tudo depende da graça preveniente, somos livres e dependentes – doce e difícil paradoxo – mas podemos corresponder à graça de Deus e nos tornarmos coparticipantes. Podemos operar pela graça, operar na graça. O sinergismo se faz presente (Sin=com; ergo= cooperar).

O ser humano agraciado deve aprimorar sua capacidade de aprender a galgar os degraus da fé e prosseguir no caminho da coparticipação da implantação do Reino de Deus,

que é amor, paz, justiça; possibilidade de todos assentarem-se à mesa da comunhão, possibilidade de renovação de esperança, cuidado com o mundo, com a criação. O que o ser humano possa fazer pela sua salvação não é causa, mas efeito da graça. Podemos citar uma passagem de Agostinho: “Aquele que nos fez sem nós, não nos salvará sem nós”. Desse modo, lembro que somos livres para crer no amor do Deus que nos criou e lançar fora o pessimismo, o medo e reacender a esperança na graça de Deus deixando longe de nós as manipulações modernas de uma religiosidade sem conteúdo, orientada unicamente no efeito emocional ou onde alguns humanos são eleitos de um deus guerreiro e, como tal, devem ser fortes e sempre vencedores. Afinal, este “deus está sempre no controle”. Assim sendo, qual é o papel do ser humano? Nenhum! Não, NÃO pensamos assim.

É preciso e possível transformar a nação, espalhar a santidade bíblica, ter a mente de Cristo, andar como Cristo andou;

frases estas espalhadas nos sermões de Wesley e em seu diário, que apontam sempre para a responsabilidade do ser humano para um cristianismo prático, dinâmico, dialético. O que somos é pela graça, e o que fazemos e temos, também. No entanto, neste galgar diário, na caminhada da fé, o Senhor está conosco, e isto é o melhor de tudo. Porém, somos livres – Livres para crer. A graça de Deus nos permite a liberdade.

Edvaldo Lima de Oliveira

Pastor na Igreja Metodista em Vila Formosa.


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