• Sede Regional 3RE

E eu com isso?


Antes de começar a ler este texto, te convido a pegar um pedaço de papel e uma caneta (lápis, giz... o que estiver mais perto). Durante sua leitura, gostaria que você refletisse e respondesse algumas questões comigo. Calma! Isso não é um teste... mas pode ser, sim, uma (auto) avaliação.


Ouço muita gente dizendo que existem muitas formas de se fazer missões. Me lembro até de um concílio local em minha igreja, anos atrás, cortando do orçamento a oferta de missionários porque queriam instalar novos ventiladores na igreja e alguém disse que ter um lugar agradável para receber as pessoas também era “missões”. Eu era uma adolescente na época. Não sei se entendia bem o conceito de missões. Mas aquilo não me desceu muito bem. Hoje sei que aquela decisão talvez pudesse se encaixar no conceito de mordomia cristã (sobre o cuidado e a manutenção com os bens e recursos que o Senhor nos dá), mas certamente não em missões.


Mês da Mulher Moçambicana

Aqui vai minha primeira questão: Seu conceito de missões está baseado em quê?

É verdade que as formas são muitas. Não se faz missões na comunidade ribeirinha da mesma forma que se faz em centros urbanos. Eu sou missionária em Moçambique (África) há uma pouco mais de oito anos. Eu não trabalho aqui da mesma forma que trabalhava como missionária na região sudeste do Brasil. E a forma que trabalho em Moçambique provavelmente não funcionaria no Egito ou na Turquia, ainda que sejam no mesmo continente.


Claro, você deve estar concordando comigo. Todos sabemos que o universo cultural é outro, o idioma, o fuso horário... Tudo diferente. Menos uma coisa.


Sim, o campo missionário começa na sua casa. Só que vai até bem mais longe. Também ouço bastante gente falando que faz missões em casa, com sua família. Amém! Eu quero acreditar na grande maioria das vezes. Mas me aperta o peito quando essa resposta tem um tom de conforto, distância, medo de que alguém vá lhe pedir dinheiro. E se pedir? Não dinheiro emprestado, dado mesmo! Será que eu dou?


E aí eu pergunto: Até aonde você está disposto a se envolver em missões?

O questionamento é legítimo. Em tempos de crise de caráter, quando estamos cercados de maus exemplos administrativos por parte de nossas autoridades, quando a corrupção e a busca pelos próprios interesses parecem ter deletado de muita gente o senso de moral, ética e justiça, como dar um tanto do seu suado dinheiro para outro? Eu nem sei bem o que esse outro faz. Ou como faz. Ou se faz.


Treinamento de líderes

Anote aí para pensar: O que você sabe sobre missionários? O que você precisa saber?

Quando eu era criança e ficava aos cuidados da minha amada avó, ela me levava às reuniões de oração que participava. Por alguns anos nosso pastor foi Adolfo Evaristo de Souza. Sempre que me via em umas das reuniões de oração com a vovó, passava a mão em minha cabeça e dizia: Essa menina vai ser missionária. Parecia brincadeirinha de pastor no corredor. Mas eu acho que ele realmente orou por isso.


Essa minha mesma avó, que até tinha fama de ser um tanto brava, era cheia de misericórdia. Dava um prato de comida a quem pedia enquanto chamava para sentar no degrau de sua garagem e ouvir o evangelho. As pessoas ligavam para ela e pediam oração... ela orava por horas. Às vezes ao telefone, mas na maioria das vezes em secreto, no seu quarto, em frente à janela que dava para seu jardim. Eu vi muitas vezes. Eram caderninhos de páginas cheias de nomes, pedidos e respostas anotadas nos cantinhos.


A avó era uma ativa mantenedora de missionários. Ela ajudava o pessoal de Asas de Socorro, da missão Ágape, dava ofertas aos missionários que visitavam nossa igreja. Lembro-me de um dia meu avô dar uma bronca nela por ter dado todo o dinheiro de sua aposentadoria do mês para um missionário em aflição. Ela tinha a convicção de que tinha feito a coisa certa.


Minha avó recebia missionários em sua casa. Ouvia sobre seus trabalhos, chorava com testemunhos e orava para despedi-los.


Desculpe-me se falei demais sobre minha avó e as lembranças que ela deixou em mim. Mas conto essas coisas para dizer que antes de formar um conceito sobre missões, eu vi acontecer.


Enquanto eu crescia e aprendia da Fonte Oficial, a Bíblia, a ordem que Cristo deixou a todos nós, ver a prática acontecendo fez com que missões fizesse todo o sentido para mim.


A ordem de Cristo, a missão deixada por Ele, era simples, clara, para todos e ainda fala:

Vão pelo mundo todo e pregue o Evangelho a todas as pessoas (Marcos 16.15).

O fato de ser uma ORDEM de ninguém menos que JESUS deveria ser o bastante para nos incomodar, nos fazer revirar na cama de casa e nos bancos da igreja me perguntando como eu tenho demonstrado obediência à ordem de Deus (SIM! OBEDIÊNCIA!! – talvez a palavra “revolta” esteja em moda, mas se tens Cristo como teu Senhor, é a obediência que devemos praticar).


Há uma frase, desconheço o autor, que diz que missões são feitas com os pés dos que vão, com os joelhos dos que oram e com as mãos dos que contribuem. Concordo mesmo! E entendo que uma ação não anula a outra. Todos devem ir! Todos devem orar! Todos devem contribuir!


Precisamos fazer tudo, em todas as áreas, que estiver ao nosso alcance (ainda que seja com as mãos bem esticadas e nas pontinhas dos pés) para que o mundo todo ouça a mensagem da Salvação por meio de Jesus.


E se a missão é de todos, também é nossa responsabilidade zelar para que ela seja bem executada.


Invista em missões. Suporte financeiramente missionários. Colabore para que tenham as ferramentas de trabalho que precisam, para que vivam com dignidade. Faz parte do processo. Mas saiba quem eles são, onde estão, o que fazem. Receba-os em casa, ore por eles e com eles! Não dá para cobrar resultados em termos de números e estatísticas mensais de quantas pessoas aceitaram a Cristo este mês. Em alguns contextos podem ser necessários anos até que alguém professe publicamente sua fé. Mas dá para prestar contas do trabalho, do empenho, da seriedade, da responsabilidade e do compromisso. Não porque você contribuiu financeiramente (você não está contratando uma pessoa para realizar uma parte da tarefa que você acha que não pode fazer), mas porque todos nós temos parte na missão que Jesus nos deixou e queremos que ela aconteça de forma excelente.


Que nosso conceito missionário esteja baseado na Palavra de Deus!

Que nosso envolvimento missionário seja total, desprendido e excelente!

Que nosso exemplo missionário motive outros a cumprir com zelo a ordem que Cristo deixou!

Que o Senhor nos ajude!


Bibiana, Juninho e filhos

Bibiana Gomes é casada com Enéias Júnior e mãe de Ester Nyeleti (7), Elisa Tsakissa (5) e Mateus Nyiko (3). Jornalista e missionária, serve ao Senhor com sua família em Moçambique desde 2010 com a Organização Palavra da Vida. São membros da Igreja Metodista Central em Santo André. Para saber mais sobre o trabalho que desenvolvem, acesse o blog da família ou no Facebook Palavra da Vida Moçambique.



Juninho e Bibiana

Membros da Igreja Metodista em Santo André.


#Metodista3re #IgrejaMetodista #Missão #Missões

0 visualização
INSCREVA-SE E FIQUE ATUALIZADO!
  • Facebook iConexão
  • Facebook IM3RE
  • Instagram IM3RE
  • Twitter IM3RE
  • YouTube IM3RE
  • SoundCloud IM3RE
  • LinkedIn IM3RE
  • Maps IM3RE

Faça aqui a sua assinatura e as atualizações do informativo online!

© 2018 por Sede Regional da Igreja Metodista 3ªRE | iConexão.

Whatsapp: +55 (11) 9.8346.0020